Betinha Thomaselli

O Blog da Elizabeth Lebarbechon

Naquele tempo da Saudade…

Mania de recordar…nada contra o presente,  mas dando corda a memória, começo  brincando, e sem cerimonia assim  as lembranças  vão  invadindo minha mente e coração.

Minhas recordações são guardadas a sete chaves da infância a  juventude, da praia da Saudade, das minhas amigas, Syd, Fernanda, Mirella, Kátia, Dulcinha,  Heloisa, Graça, Luciana, Liz,   cada uma com suas características marcaram minha vida e assim  formávamos  um buquê harmonioso.

Passávamos perrengues em consequência de nossas artes. Os dias na Praia da Saudade eram curtos diante da nossa imaginação. Lembro do dia de fazer comidinha de verdade, escondida de nossos pais, cada uma com a missão de trazer um ingrediente de suas casas,chegávamos esbaforidas com os ingredientes  enrolados em nossos vestidos: azeite, ovos que as vezes quebravam, carne,  arroz, e para estragar D. Maria (empregada da casa) acabava descobrindo, e quando meus pais chegavam da loja era a ladainha de queixas.

Tinha o dia do Teatro, fazíamos cenários, pintávamos caixas, fantasias improvisadas, assim no jardim interno da casa de meus pais em Coqueiros em minutos  virava piscina e para assistirem nossos convidados  pagavam ingresso eram crianças vizinhas da rua José Do Valle Pereira, se acomodavam em  cadeiras enfileiradas para assistirem nossa apresentação, a nova empregada recém chegada em nossa casa,não conhecendo a rotina da casa,  autoridade de mandar e desmandar na coitada era nossa , sob nossas ordens preparava bolinhos de chuva assustada, na cozinha.  Naquele dia superamos, quando minha mãe chegou em casa ela ficou paralisada diante da cena: Os nossos convidados  comendo bolinhos  de chuva, a sala toda molhada diante da piscina que outrora era uma jardim interno.  Eu só escutei um “ELIZABETH” meu nome só era mencionado sem o meu apelido quando a bronca vinha em seguida. Nunca ficamos de castigo, mas eu e minha irmã escutamos muito por semanas. Jurei não fazer  nem montar peças de teatro dentro de casa. Resumo da história do Teatro,a empregada foi embora no outro dia. Substituindo dois dias depois chega D. Maria , com toda a família( filha Hercília ,mãe,e irmã) para colocar ordem em casa,  e colocou. Cozinhava divinamente,fazia de tudo que se possa imaginar, mas eu só comia no almoço bife feito na hora, feijão ,não podia estar frio, batata frita e arroz, e bom suco de laranja ou uva . Nunca podia estar na mesa uma comida fria ou requentada.

Ai entrou a história de rezar missa no corredor da minha casa. Eu e minha irmã montávamos  o altar e então paramentadas rezávamos missa e para choque da minha mãe chegando em casa estamos levantando um pão  que era a hóstia . Quantas artes e imaginação !  E o dia do nosso studio de fotografia  no telhado da nossa casa!  Influência do filme Blow up..

As produções,roupas e adornos nas telhas e assim as seções de fotos aconteciam, a noite do mesmo dia,  caiu um temporal e nossa casa ficou  inundada  e mais uma vez nossa arte de sessão de fotos foi descoberta  e com rodo na mão fomos ajudando no  árduo trabalho de enxugar a casa  sob o olhar severo da minha mãe, recebendo broncas intermináveis  e sob ameaça de acabarmos internas num colégio de freiras ..

Lembro que meu pai nos deu de presente um barco a remo de fibra de vidro, saíamos a solta pelao mares da Saudade ,um belo dia tive uma ideia brilhante de procurarmos um tesouro, remamos além da conta e assim o vento virou de rumo e fomos pegas  de surpresa com  a correnteza, muita onda e redemoinho  acabamos agarradas no trapiche do outro lado da praia, aos gritos, pedindo socorro e assim fomos salvas.  Rezei a noite e prometi a mim mesma não sair assim cheia de coragem, o mar é traiçoeiro!

E assim revivendo, lembrei do tempo, quem se salva do passar do tempo?   Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, naquele momento que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir- não tão bons – por culpa do tempo.

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