Betinha Thomaselli

O Blog da Elizabeth Lebarbechon

Moda anos 60 

Tudo muito calmo  em Floripa, éramos “Fashion Victim” das páginas das revistas de moda. Mas o que mais atraia o nosso mundinho era a descontração da moda carioca, que tinha a influência da moda inglesa repaginada.

Muitas atitudes começavam a  transformar as cabeças antenadas do mundinho fashion da Ilha nas festinhas, que outrora eram retrógradas  na maneira de vestir, dos tubinhos aos cabelos armados com o laquê, ou rabos de cavalo adornados com fitas largas de veludo do tom dos looks, durou até  invasão das cariocas nas praias da Saudade, e Ipanema. Duda Cavalcante, Helô Pinheiro,nossa garota de Ipanema, Leila Diniz, atriz,  ícones da época, imitadas, ou melhor causaram, escandalizaram na beleza e nas atitudes, e assim o nosso mundo girava ..

Do passado, as jovens da Ilha  viviam em redomas, os looks sérios, e démodé em relação  ao mundo exterior, enquanto a  moda carioca ditava a moda copiando as tendências da famosa  Carnaby Street,  rua Londrina famosa, onde as Boutiques com seus donos formadores de opinião e atitudes criavam looks e faziam de sua criações objeto de desejo, o mundo copiava, aqui no Brasil as ruas de Ipanema lançavam em suas Boutiques  toda a moda Inglesa repaginada, e com muito mais bossa, a Biba, Boutique  onde meus pais abasteciam nosso guarda roupa .

A geração dos anos 60 cogitavam uma liberdade na maneira de pensar, de vestir eram imitadas e também muito criticadas

Os swingings sixties foram a década mais importante do século XX.

O impulso foi,  entre outros, o milagre econômico que se desenvolveu nos anos 50 e cujos frutos podiam ser colhidos agora por quase todos.

No mundo Europeu quem para lá ia não voltava a mesma pessoa, o choque cultural derrubou muitos conceitos dos formandos, estudantes, jovens abastados, o que eles viam  lá fora, ao  contrário da sua realidade eram  jovens contestadores, tinham liberdade sexual, contra cultura,tudo eram contra: autoridade dos pais, da igreja e do Estado, iniciavam a procura de novas palavras, desmascarando a moral dupla que permitia fazer quase tudo ao contrário do que oficialmente se apregoava.

Os jovens procuravam a Paz interior, na música, arte, política, na verdade os jovens estavam procurando “Peace and Love”.

A música era o elemento que unia os jovens do mundo ocidental para além de todas as fronteiras sociais, raciais, e de sexo. Os precursores foram Bill Halley e Elvis Presley; nesta época salientaram-se os Beatles, e depois os Rollings Stones,The Who, Jimi Hendrix, isto no mundo lá fora, mas aqui os Beatles, Rita Pavone e os cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos,Wanderléa,Martinha,Ronnie Von, Wanderley Cardozo, Simonal  e assim entre uma e outra musica éramos embalados nas domingueiras ou “Encontro da Juventude “comandadas pelo colunista pop Celso Pamplona.

Os Beatles ambicionavam uma iluminação interior, e em 1967 nomearam Maharashi Mahesh seu guru, tornaram-se os precursores de um movimento que procurava o sentido da vida no Oriente.

Assim os elegantes mods, que apresentavam penteados em forma de cogumelos e que seguiam novas regras da moda, foram considerados Hippies, pelo menos nos meios de comunicação social que consideravam indistintamente todos os” cabeludos”. Eles não se interessavam por mais nada além da Marijuana e do LSD.

Aqui em Floripa na década de 60  não rolava essas drogas éramos movidos a Cuba Livre, Suco de laranja , Banana split, Vaca preta . Éramos apaixonadas, gostávamos do Sol, nosso Astro Rei. Tínhamos diário, éramos felizes e não sabíamos.

A flor de plástico com o qual Mary Quant enfeitou a sua moda Lolita tornou-se no final da década ,uma verdadeira flor, símbolo do direito à paz. Muitos jovens e também muitos adultos se sentiram atraídos pelo movimento do Flower Power promovido pelos hippies. Com as flores manifestavam-se contra as diferenças de classes, contra a intolerância, o racismo e a guerra.

O sonho de Love and Peace, cuja realização parecera próxima durante algum tempo, desfez-se como bolha de sabão.

Assim foi também no que diz respeito a moda de rua teve entrada na alta costura.

Yves Saint Laurent ter sido  reconhecido antes dos outros, e em 1960 apresentava camisolas pretas de gola alta e blusões de cabedal, como se quisesse vestir as jovens noivas de Rockers de acordo com sua posição social.

Coco Chanel viu-se derrotada quando quis ensinar a elegância ao ídolo da juventude Brigitte Bardot,”Isso é para os  velhos “, respondeu ela, e continuou a vestir-se de forma pouco convencional.

Agora eram as jovens que ditavam a moda e eram as mães que seguiam as filhas até aos limites da decência.

Nunca ficou esclarecido quem inventou a mini saia : Mary Quant ou André Courrèges.

Muita coisa aponta para o fato de esta criação vir de Londres.muito simplesmente pelo fato de o movimento estudantil dos anos 60  ter começado nesta cidade.

As boutiques de King’s Road ou de Carnaby Street, onde se vestiam as jovens que não queriam parecer com as mães.

A moda da mini saia aparentava uma frescura e inocência semelhantes às dos vestidos de crianças . Agora apareciam essas lolitas que apenas mostravam os olhos enormes,e longas pernas magras e deixavam entrever os peitos através de transparência.

A encarnação deste novo ideal era Twiggy,a inglesa de dezesseis anos,que embora pesasse apenas quarenta e cinco quilos sabia brilhar.

Nos anos sessenta o estilo de Jackie contribuiu tanto para o rejuvenescimento da moda como culto da juventude que partiu da Inglaterra.

Um outro fator a considerar foi a conquista do espaço, e o primeiro a mostrar a moda do futuro foi André Courrèges,ele criou o look da era espacial, quebrando todas as tradições, com botas brancas e calças ou conjuntos de um corte geométrico, abaulamentos e sinuosidades. Os vestidos eram curtos e os cortes pareciam ter sido criados com o compasso e a régua.

O terceiro costureiro importante associado aos vanguardistas foi Paco Rabanne, sua moda “utópica”, feita de plástico e metal, recordava os equipamentos para viagens no espaço.

Desenhou,assim, looks para Jane Fonda, como Barbarella, e as suas cotas de malha apareceram nos filmes “Dois no mesmo Caminho” ….

Embora as suas mulheres não tivessem aparência de astronautas,o estilista mais moderno era, contudo Yves Saint Laurent, olhava mais para rua do que para o espaço, transportando o espírito da época a passarela  e transformando-o em alta costura, temporada após temporada.

Assim as lojas de tecido da dona Salma e dona Bentinha eram abarrotada de tecidos e toda a nossa Ilha se acotovelava entre os balcões levando  os modelitos de revista, ou assessoradas por desenhistas contratados pela loja . Os mais requisitados nos anos 60 : o costureiro Lenzi, a minha estilista favorita Dona Olga Mafra, que confeccionavam e faziam  acontecer nos salões dos Clubes Lira e Doze. A sociedade mostrava o poder através das mesas escolhida a dedo nos salões e também na quantidade de pedrarias que brilhavam sob as luzes dos holofotes dos fotógrafos credenciados dos clubes . As mais poderosas sempre nos finais de semana apareciam nas colunas disputadas do Jornal “O Estado “ com a coluna de  Zury Machado , da “Gazeta”com a coluna pop de Celsinho Pamplona.

A moda prêt-a-porter e a moda das boutiques foram a grande novidade do século, tendo para elas contribuído todos os costureiros, que criaram por vezes segunda ou terceira linha mais baratas e mais jovens do que a alta costura.  Por outro lado os proprietários de boutiques ascendiam a criadores de moda respeitados, como aconteceu com Mary Quant, na Inglaterra, Jil Sander na Alemanha, Dorothée Bis na França. Desapareciam deste modo, no campo da moda as diferenças de classe, tendo-se obtido, no final da década uma liberdade total: mini saia do lado da maxi saia ,calças e saias, formas futuristas, bem como padrões psicodélicos. Muitos pensaram ser o fim da moda , a alta costura sobreviveu ao terremoto desencadeado pelos jovens. Apenas a moda sofreu as modificações com  integração de novas idéias.

Yves Saint Laurent apreciava os estilos retrô e étnicos de que os hippies tanto gostavam. Levou suas clientes a China ,Peru, a Marrocos, e a Africa Central, mas também a Veneza na época de Casanova.

Matisse, Picasso, Modrian, Tom Wesselman e seu grande amigo Andy Warhol, todos influenciaram a moda de Yves Saint Laurent.

André Courrèges em 1961 abriu com sua ma casa de alta costura com aquela que mais tarde se tornaria sua mulher, Coqueline Barrière .

Foi o primeiro aparecimento da mini -saia em alta costura ,das saias a direito e evasés com galões, em tecidos resistentes, concebidas segundo as regras de Bauhaus,mas sem apresentar um aspecto rígido, as botas eram de plástico branco com as biqueiras cortadas.

Mas o que era muito copiado era o casaco curto branco de linha secundária de André Courrèges ,couture future, de 1969.

também consagrou a margarida na alta costura,bem como a mini saia reivindicada por Mary Quant como marca própria.

No centro da swinging  London encontra-se a inglesa Mary Quant, que nos trouxe a mini-saia, cortes de  cabelo geométricos,e collants de várias cores e padrões . Começou em 1955 com uma pequena boutique na Kings Road, chamada Bazaar,onde vendia simples vestidos.

Nos anos 60,a loja converteu-se num império internacional para qual Mary Quant criou moda, acessórios e produtos de cosmética , tudo jovem e pouco complicado.Criou casacos em PVC, botas carteiras com correias compridas,tornando sua aparência própria para as teenagers.

 

Em 1966, foi declarada a mulher do ano e condecorada com a ordem mais elevada – no final dos anos 70 estava quase esquecida .

 

 

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *