Betinha Thomaselli

O Blog da Elizabeth Lebarbechon

Meus quinze anos

 

Sabe amigos de todas as datas fatídicas da minha vida, o meu aniversário de 15 anos foi catastrófico!

Vamos lá:

Sábado dia 20 de novembro de 1965, um dia antes do meu aniversário foi o dia escolhido para a festa. O dia estava lindo acordei com entusiasmo,  afinal era o grande dia .

A praia já dava sinal de movimento com o barulho inconfundível do frescobol, em casa, minha mãe correndo de um lado a outro, dava os últimos retoques nos vasos de flores, as peças antigas foram retiradas assim minha mãe poderia ficar tranquila.

Do  janelão da sala aberto eu já podia escutar o canto das cigarras, muito comum nesta época do ano,  ainda meio sonolenta da janela pude avistar pessoas montando  o bar no jardim  logo abaixo do pergolado de Bougainville de cor maravilha, o som alto entusiasmava, mas deixava confuso o canto natural do verão.

O sol batia sorrateiro nos copos transparentes, e lembro que parecia uma dança de cores entre eles, transmitiam uma energia tão positiva, eu pensava :” Vai dar certo, sou uma pessoa feliz, tenho uma família feliz e aquilo já era o suficiente para enfrentar qualquer barreira .

Na cozinha já D. Maria preparava meu café, sempre ligeira, magrinha,  sabia como ninguém cozinhar.

Os docinhos miúdos era feitos a maior parte deles em casa,  aquele cheirinho de brigadeiro enfileirados em enormes bandejas de madeira  cobertos com papel manteiga para não impregnar cheiro. Quanta dedicação, e amor. Ainda podia sentir o cheiro do amendoim torrado para confecção dos cajuzinhos. Na noite anterior ao redor de uma mesa redonda da copa da minha casa tinha um mutirão ajudando, e ali escutava estórias que D. Maria contava sobre fantasmas, e sempre tinha uma pessoa  que apagava as luzes e eu então assustada olhava a janela e ali sempre uma mão descendo, saia aos gritos, depois com muitas risadas íamos dormir rezando que chegasse logo o amanhã.

O que eu iria fazer ? Estava tudo no controle, minha mãe não deixava nada a desejar, e o meu pai as voltas com os funcionários da loja nas bebidas e também providenciando tudo que era do seu alcance. Devo aqui falar do meu pai que sofreu um grave acidente no barco de pescaria e seu rim ficou inutilizado e assim desde os meus 5 anos de idade, assisti a peregrinação do meu pai nos hospitais daqui e do Rio de Janeiro.  Com todas as suas operações ele sempre estava disposto a trabalhar e iluminava a casa com o seu sorriso de otimismo. Como era batalhador, quanto exemplo nos deixou !

Vamos a festa, dois  meses pensando no modelo do meu vestido, e na minha memória seletiva penso que a cor era rosa de organza com flores do mesmo tecido aplicado no peito com pérolas. Acho que gostei, tenho a impressão que  depois do grande temporal que se formou em Coqueiros  no dia do meu aniversário, devastando tudo, tive um apagão, lembro dos copos de cristais voando, as garrafas de bebidas caindo em efeito dominó, uma  cena não sai da minha cabeça até hoje, lembro  também do meu pai, dos funcionários correndo, tentando salvar o que ainda tinha restado,  foi horrível, caia o toldo, as lâmpadas e para mim o pior seria se acontecesse algo ruim com meu pai.

Chorei desesperada,meu pai todo encharcado ,tentando me acalmar falava que ia dar um jeito,e deu, resolveu tudo sempre com semblante confiante  assim minha insegurança foi ficando menor.

Mas nem assim a chuva e vento amenizavam, ai o meu temor agora era outro : Será que com esse tempo os pais vão deixar seus filhos atravessar a ponte ?

Como foi difícil para mim esta fase entre 14 e 15 anos, eu já tinha perdido a “Turma” que gostava de estar, mas tinha  minhas   amigas do Colégio, sem esquecer  minhas melhores amigas de infância : Fernanda Paim Neves, e Syd Cabral Soares,  hoje  Modesto,  por muito tempo passamos melhores  dias  em Coqueiros.

Outro perrengue foi ter que convidar o tal amigo que era da “Turma.”Não lembro como convidei, o que escutei, mas lembro que pela manhã recebi um ramalhete de rosas lindas envolta em papel de celofane transparente amarrado com um laço de cetim rosa . Abracei o Ramalhete e guardei assim por muito tempo no meu armário. Não sei que valsa dancei, e  também quem fez parte do dança das 15 velinhas, e nem da valsa, e  nem quando começou o embalo, tudo aconteceu mas não tenho registro.

Ainda para completar chega atônito o fotógrafo para cobrir a festa , e na hora das fotos ele esqueceu os filmes. Não dava para fazer mais nada, e nem sei como acabou a festa, não lembro quem foi, sei que lotou a minha casa e uma prova de que não faltou ninguém foi a  quantidade de sombrinhas e guardas chuvas esquecidas  no canto atrás da porta da sala no outro dia.

Quanto ao príncipe encantado, depois de algum  tempo fui saber que ele nem sabia das flores que recebi!

Saldo da minha festa : Uma cama cheia de perfume “Miss France “, que depois eu e minha irmã fizemos uma guerra de perfume no quarto!

Related Posts

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *