Betinha Thomaselli

O Blog da Elizabeth Lebarbechon

Floripa anos 60

Mudanças de hábitos sexuais proporcionados pelo advento da pílula anticoncepcional,  o rompimento de barreiras sugeridas pelo rock,deu-se a explosão de uma geração particularmente talentosa,disposta a colorir o mundo.

Calma, isto não aconteceu tão rápido assim em Floripa.

 

Aqui até início de 69 viveu ainda um mundo de idéias passadas, onde a maioria das jovens estudavam   (Curso Normal) que nada mais era uma preparação para o casamento, e assim muito talento foi perdido.

As jovens dos anos 60 eram festivas, brincavam de POWER FLOWER nas camisetas coloridas que confeccionavam, mas sem a noção do significado.

Os romances e amores cantados e embalados ao som de guitarras de bandas locais nas  tardes de domingo….Era na loja de disco Az de Ouro dos meus pais, onde chegavam  as novidades do mundo dos sons, Lps, e disco compact que eram tocados nas eletrolas das cocotinhas   da época..

Clubes determinavam quem é quem aqui na ilha da magia.

O amor  cantado em verso e prosa pelo poeta Vinícius de Morais:” Que seja imortal posto que é chama,  mas infinito enquanto dure “ era hino das apaixonadas e conforto para os amores perdidos

Matinês no cine ”São José ”era um local ideal para continuar o que já tinha começado no outro domingo, no Lira, no “Encontro da Juventude” .

Assim acabavam ou começaram grandes amores!

Os ídolos de cinema sempre heróis… Elvis  Presley, seus olhos e ginga encantavam. Turmas,  Miami e Bermuda  e Samambaia demarcavam linhas imaginárias que barravam qualquer intruso e ao mesmo tempo estar entre os seus era confortante.

Confusão e falsidade neste pequeno mundo de fantasia do primeiro amor.  Outro point que era muito badalado “ Cocota” ali o senadinho da geração 60 onde amores e fofocas rolavam e também onde se enterravam e desenterravam  pessoas num piscar de olhos.

Mas também rolavam olhares atravessados e muito namoro começou ali.

Outro lugar onde era muito cultuado nestes tempos era o Boliche, bem perto do colégio catarinense.

Saídas dos colégios eram lugares da moda. Uniformes que coloriam a cidade eram determinantes para apontar nas calçadas rosadas do Palácio a classe social.

As Boutiques não seguiam com precisão a tendências rápidas das revistas de moda, lojas de tecidos e armarinhos eram mais requisitados para confecção personalizada feitas por costureiras  .

Ser diferente  entre as demais, dava poder e personalidade. A ousadia no vestir antes de acontecer no mundo fashion local era muito disputado entre aquelas que tinham o poder de sacar o que viam em suas  viagens …

Apesar de sua alienação em torno do mundo na sua essência, por um curto período esta geração “Floripa” apenas se comportava como a sociedade exigia .

A alienação do mundo das drogas era total ao ponto de apenas usar como referencia do consumo uma camiseta pintada com cores fluorescentes “I used LSD”

A bandeira Inglesa, “Power Flower” muito colorido lisérgico, muitas flores,  camisetas com morangos e maçãs, calça Lee cintos com fivelas de militar (depois proibido) saias muito curtas, Pallazzo Pijama, Trapézio,  jaquetas transpassadas macacões cabelos lisos como nunca vi, virou até letra de música… tendências progrediam a medida que novas músicas surgiam.

A modelo Twiggy com suas saias kilt, ideias  subversivas era assunto proibido dentro das casas de família, comunismo nem pensar.

O sol assim chamado de “Astro Rei “ coloria e dava o ar saudável as cocotas, banhadas em Rayto del sol e outras alquimias, que nos dias de hoje completamente nocivas a pele. Não tínhamos protetores de sol, motivo hoje de tantas inóspitas  pintas na pele, resolvidas com luz pulsada.

A praia nos dava o alívio e recuperação  do stress, mas também entorpecia nossas  mentes agitadas e confusas. Há quanta dor de cotovelo esquecida nas aguas da Saudade! !

No embalo das marés da  Saudade , víamos passar várias gerações que traziam a cada ano  o modismo carioca para as praias e clubes.

Bailes de debutante mais conceituados eram do Clube Doze de Agosto e Lira Tênis Club,  onde a jovem ingressava na sociedade, apresentadas em alto estilo seus vestidos cujos modelos (guardados à sete chaves ) e tecidos comprados fora, na Galeria das Sedas da família Barbato,  eram confeccionadas pelos bambambãs  tais como  D.Olga Mafra(Modista)  e o costureiro  Lenzi.

As melhores,saiam em fotos no jornal local sob as lentes do fotógrafo Paulo Dutra.

O domínio da coluna local  era  de dois colunistas famosos  Zury Machado e Celso Pamplona. e  estar em suas colunas era privilégio na certa.

Assim a geração cocota dos anos 60 viveu o mundo imaginário do Peace and Love !

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13 Comentários

  1. Querida, amei compartilhar das tuas memórias! E acho fantástico a vibração que vem de ti. Tudo tem emoção, energia… uma vida que se transforma com as tuas necessidades! Vamos seguindo!👏👏👏🌹💋💯⭐️

    1. Querida, amei compartilhar das tuas memórias! E acho fantástico a vibração que vem de ti. Tudo tem emoção, energia… uma vida que se transforma com as tuas necessidades! Vamos seguindo!👏👏👏🌹💋💯⭐️

  2. Betinha adorei, sucesso no teu blog, muito bom compartilhar essas lembranças de um tempo tão bom da nossa juventude!! Bjos

  3. Betinha, não sei como posso te agradecer, vou tentar
    Obrigada por relembrar os momentos das nossas vidas que só quem viveu sabe
    Fiquei impressionada pela forma que descrevestes , os detalhes
    Adorei

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